Nesta edição, trazemos um relato preocupante sobre o descaso com centenas de marceneiros no Acre. Ao longo dos anos, promessas foram feitas: criação de polos moveleiros, apoio na organização do setor, regularização documental, acesso a crédito e incentivo à produção com madeira certificada. No entanto, na prática, grande parte dessas garantias nunca saiu do papel.
Se os leitores visitarem os polos industriais do Acre, encontrarão uma realidade bem diferente do que foi anunciado. Desde 2011, o governo estadual prometeu documentos essenciais para viabilizar linhas de crédito, além de apoio tecnológico e fornecimento de matéria-prima regularizada. Mas o cenário atual revela abandono.
Entre os principais problemas relatados pelos trabalhadores, destacam-se:
Falta de regularização dos galpões
Os espaços onde os marceneiros trabalham nunca foram devidamente documentados. Isso significa que dezenas de profissionais exercem suas atividades sem qualquer garantia legal sobre os imóveis.
Ausência de licenças para madeira certificada
As licenças necessárias para manejo e aquisição de madeira legal nunca foram efetivamente disponibilizadas. Essa negligência já resultou na prisão de mais de uma dezena de marceneiros no Alto Acre, causando prejuízos financeiros e impactos psicológicos às famílias envolvidas.
Infraestrutura precária
A falta de abastecimento de água tem dificultado o trabalho diário nos polos, comprometendo a produção e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Desvio de finalidade dos polos
Em algumas cidades, os polos moveleiros deixaram de cumprir sua função original. Muitos foram transformados em garagens, oficinas mecânicas ou espaços para armazenamento de equipamentos de terceiros.
Anos de promessas não cumpridas
Durante os governos de Tião Viana (dois mandatos), o setor foi alvo constante de promessas, especialmente em períodos eleitorais. No entanto, após oito anos, pouco ou nada foi entregue.
Já nos governos de Gladson Cameli, a situação também não apresentou avanços significativos. Segundo relatos, sequer houve visitas técnicas aos polos por parte da gestão estadual para verificar de perto a realidade enfrentada pelos trabalhadores.
Os marceneiros afirmam que se sentem abandonados e desassistidos. Para muitos, a relação com o Estado se resume à cobrança de impostos e aplicação de multas ambientais, sem o devido suporte para regularização e crescimento do setor.
Este não é apenas um espaço de crítica, mas de alerta. O setor moveleiro do Acre tem potencial para gerar emprego e renda, fortalecendo a economia local. No entanto, sem políticas públicas efetivas, apoio técnico e regularização, os trabalhadores permanecem reféns da insegurança e do medo.
Ao acessar os canais oficiais, como o site do Imac, é possível encontrar diversas promessas voltadas ao setor — muitas delas ainda não cumpridas.
Diante desse cenário, fica o questionamento: até quando?
É hora de o poder público agir com transparência, assumir responsabilidades e, principalmente, cumprir o que foi prometido. O fortalecimento dos polos moveleiros não é apenas uma demanda da categoria, mas uma necessidade para o desenvolvimento econômico e social dos municípios acreanos.
Polos moveleiros estruturados significam mais empregos, mais renda e mais dignidade para centenas de famílias.
Jornalista; Nesio Mendes.
