abril 28, 2026 Desafios ambientais em Brasileia expõem crise histórica na gestão de resíduos sólidos

Desafios ambientais em Brasileia expõem crise histórica na gestão de resíduos sólidos

A gestão ambiental em Brasileia, no interior do Acre, enfrenta desafios complexos e históricos, especialmente no que diz respeito ao manejo de resíduos sólidos, funcionamento do aterro sanitário e regularização de estruturas públicas como o cemitério municipal. As informações foram detalhadas pela secretária municipal de Meio Ambiente, Liane Rocha, em entrevista recente manhã de notícias na Rádio Alto Acre.

Segundo a gestora, os problemas atuais não são recentes e refletem falhas acumuladas ao longo de décadas. “Estamos tentando resolver questões que vêm de 20 anos atrás. Não é um problema só de Brasileia, mas de todo o Acre”, afirmou.

Aterro sanitário ainda opera com limitações

Um dos principais pontos críticos é o aterro sanitário, compartilhado com o município vizinho de Epitaciolândia. Apesar de avanços recentes, como o controle de incêndios — que não foram registrados em 2025 —, o local ainda enfrenta pendências legais e estruturais.

De acordo com Liane Rocha, o município recebeu uma notificação judicial exigindo a solução de 28 irregularidades. Até o momento, 21 já foram resolvidas.

Mesmo com melhorias, a realidade ainda está distante do ideal. Em muitos casos, o que deveria ser um aterro sanitário adequado se aproxima mais de um “lixão controlado”, realidade comum em diversas cidades acreanas.

Consórcio intermunicipal surge como alternativa

Uma das soluções apontadas pela Secretaria é a criação de um consórcio intermunicipal para gestão de resíduos sólidos. O modelo já funciona em outras regiões do país, como em Rondônia, onde 19 municípios compartilham um sistema integrado.

“É um projeto pronto. Não precisamos reinventar, apenas adaptar à nossa realidade”, destacou a secretária.

Esse tipo de estrutura permitiria desde a coleta seletiva até o reaproveitamento de resíduos, com geração de renda por meio da reciclagem e da chamada logística reversa.

Desinformação da população agrava o problema

Outro desafio significativo é a falta de informação da população sobre o descarte correto de resíduos. Materiais como pneus, baterias, óleo queimado e lixo hospitalar não podem ser destinados ao aterro sanitário.

A legislação ambiental determina que esses itens devem seguir sistemas específicos de logística reversa, sendo devolvidos a fabricantes ou pontos de coleta autorizados. O descumprimento pode resultar em multas e até prisão por crime ambiental.

“Se alguém descartar de forma irregular e for flagrado, pode pegar até cinco anos de prisão”, alertou Liane Rocha.

Para enfrentar o problema, a Secretaria tem investido em ações educativas antes de intensificar a fiscalização.

Fiscalização mais rigorosa e poder de polícia

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente possui poder de polícia administrativa, podendo notificar, multar e até embargar atividades irregulares. Segundo a secretária, a atuação tem sido baseada em orientação prévia, para evitar alegações de desconhecimento da lei.

Além do lixo urbano, a fiscalização abrange também:

  • Descarte irregular de entulhos
  • Limpeza de terrenos
  • Loteamentos irregulares
  • Atividades potencialmente poluidoras

Cemitério municipal também preocupa

Outro problema crítico é a situação do cemitério municipal, que já opera no limite de sua capacidade. O local está passando por avaliação técnica, incluindo análise da qualidade do lençol freático.

Entre as medidas em estudo estão:

  • Implantação de sepultamentos verticais
  • Regularização documental do espaço
  • Busca por nova área para construção de outro cemitério

A ação atende a recomendações do Ministério Público e de órgãos ambientais estaduais.

Exemplos positivos mostram caminhos possíveis

Apesar dos desafios, experiências locais mostram que soluções sustentáveis são viáveis. Um exemplo citado é o uso de biodigestores em granjas da região, que transformam resíduos orgânicos em gás e bioadubo.

Esse tipo de tecnologia reduz impactos ambientais e ainda gera benefícios econômicos, como aumento da produtividade agrícola.

Perspectivas e desafios futuros

A secretária reconhece que os avanços não serão suficientes para resolver todos os problemas em curto prazo. “Nenhuma gestão vai conseguir resolver tudo o que foi acumulado por tantos anos, mas estamos melhorando muita coisa”, afirmou.

Atualmente, o município está regularizado em sistemas ambientais, o que permite acesso a recursos e investimentos, como aquisição de equipamentos e veículos para coleta.

Ainda assim, o cenário exige planejamento regional, investimento contínuo e, sobretudo, conscientização da população.


Conclusão:
A situação ambiental em Brasileia evidencia uma realidade comum em muitos municípios brasileiros: a dificuldade de lidar com problemas estruturais históricos. Entre avanços e limitações, a solução passa por integração regional, tecnologia e educação ambiental — fatores essenciais para transformar o atual cenário.

Por Redação
Brasileia (AC), 28 de abril de 2026