A ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, oficializou seu desligamento do Partido Progressistas (PP) e anunciou sua saída da base do governo estadual, declarando apoio à pré-candidatura de Alan Rick. A decisão marca uma reviravolta significativa em sua trajetória política — e levanta questionamentos sobre coerência e lealdade política.
Em nota pública, Fernanda justificou a mudança afirmando que a política é feita de ciclos, escolhas e novos caminhos. Relembrou sua atuação como vereadora e prefeita por dois mandatos, destacando dedicação e compromisso com a população. Também mencionou sua passagem pela coordenação regional da Secretaria de Governo (SEGOV), onde afirmou ter atuado como elo entre o governo e a população do Alto Acre.
No entanto, a mudança de posicionamento não passou despercebida nos bastidores políticos. Isso porque, ao longo de sua gestão e também fora dela, Fernanda Hassem foi uma das principais beneficiadas pelo apoio do governador Gladson Cameli. Recursos, parcerias institucionais e respaldo político foram fundamentais para sua permanência e fortalecimento no cenário local.
Diante disso, a decisão de romper com a base governista gera críticas e questionamentos: até que ponto a mudança representa convicção política ou conveniência eleitoral?
Embora tenha agradecido publicamente ao governador, destacando respeito e gratidão pela parceria, o gesto de abandonar o grupo político que lhe deu sustentação durante anos soa, para muitos, como um movimento contraditório.
Em seu pronunciamento, Fernanda afirmou que sempre agiu com lealdade às próprias decisões e que sua saída ocorre com responsabilidade e coerência. Ainda assim, analistas políticos avaliam que o momento escolhido — em meio às articulações eleitorais — reforça a percepção de que interesses estratégicos podem ter pesado mais do que a fidelidade política construída ao longo do tempo.
A mudança de rumo da ex-prefeita abre um novo capítulo em sua carreira, mas também deixa um debate inevitável: na política, até onde vão os princípios — e onde começam os cálculos eleitorais?
