ENTREVISTA ESPECIAL COM O PRÉ-CANDIDATO QUE DEFENDE O AGRONEGÓCIO COM EQUILÍBRIO AMBIENTAL, COMO CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO DO ACRE

Em entrevista ao programa de rádio apresentado por Zazinho Moraes, com participação do jornalista Nésio Carvalho, o empresário e pecuarista conhecido como Chiquinho que confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual e defendeu uma atuação firme em favor do homem do campo, da agricultura familiar e da valorização das potencialidades do Acre.

Das origens seringueiras à pré-candidatura

Natural de Rio Branco, nascido em 1982, mas com raízes no Alto Rio Tarauacá, Chiquinho faz questão de destacar sua origem humilde e a trajetória familiar ligada ao extrativismo e à política acreana.

“Sou neto de seringueiro e tenho muito orgulho das minhas origens. Meu pai foi um grande idealista, nacionalista, fundador do Prona no Acre e candidato ao governo nos anos 1990. Cresci ouvindo que não existe terra melhor do que a nossa, nem povo melhor do que o acreano”, afirmou.

Ele relembrou que seu pai esteve envolvido em momentos importantes da história política do Estado, incluindo denúncias públicas na década de 1990, período marcado por fortes tensões políticas no Acre.

Aos 44 anos, empresário do ramo agropecuário e também aviador — com experiência no setor de táxi aéreo no passado — Chiquinho afirma que decidiu ingressar na política por entender que apenas a iniciativa privada não é suficiente para promover mudanças estruturais.

“Como pessoa física, você ajuda uma família. Como empresa, ajuda uma comunidade. Mas é através da política que se consegue alcançar milhares de pessoas”, destacou.


Representatividade do agro na Assembleia

Um dos pontos centrais da entrevista foi a ausência, segundo ele, de representantes efetivos do agronegócio na Assembleia Legislativa do Acre.

“Hoje não vejo um representante legítimo do agro dentro da Assembleia. A comissão de agricultura existe, mas, na prática, não funciona como deveria. Falta direcionamento, falta programa, falta prioridade no orçamento”, criticou.

Para o pré-candidato, o desenvolvimento do Acre passa necessariamente pelo fortalecimento do campo. Ele defende que é possível conciliar produção agrícola e preservação ambiental.

“Dá para equilibrar meio ambiente e produção. Não é preciso desmatar mais para produzir mais. Com assistência técnica e tecnologia, um hectare bem trabalhado pode gerar renda suficiente para sustentar uma família com dignidade”, afirmou.


Café como alternativa econômica

Chiquinho dedicou parte significativa da entrevista ao potencial da cafeicultura no Acre, especialmente na região do Alto Acre. Segundo ele, o Estado produz apenas cerca de 17% do café que consome.

“Não existe solo melhor do que o nosso para o café. Aqui não temos geada como no Sul e temos bom índice de chuva. Um hectare pode produzir 55 sacas sem irrigação. Com irrigação, pode passar de 150 sacas”, explicou.

Ele citou o exemplo de um produtor de Acrelândia que alcança mais de 150 sacas por hectare com sistema irrigado. Considerando o valor médio atual da saca, a atividade pode gerar renda anual significativa para pequenos produtores.

“O café se encaixa perfeitamente na agricultura familiar. Uma família consegue cuidar de um hectare e ter uma renda digna. Isso combate a pobreza sem necessidade de abrir novas áreas”, argumentou.


Críticas ao modelo ambiental vigente

Durante a conversa, o pré-candidato também fez críticas à forma como a legislação ambiental é aplicada no campo, especialmente em relação aos pequenos produtores.

Segundo ele, há excesso de burocracia e penalidades severas que acabam inviabilizando a vida de muitos agricultores.

“As leis são feitas por políticos. E o eleitor precisa cobrar esses políticos. Não sou contra preservar, mas sou contra a aplicação injusta da lei que acaba penalizando o pequeno produtor”, afirmou.

Apesar das críticas, Chiquinho reforçou que não defende o desmatamento indiscriminado.

“Se continuar degradando, no futuro não teremos floresta. O que defendemos é equilíbrio, responsabilidade e produção com tecnologia”, disse.


Agricultura familiar como prioridade

Ao ser questionado sobre como atuaria caso eleito, Chiquinho afirmou que sua principal bandeira será a valorização da agricultura familiar, com foco em assistência técnica, crédito rural e planejamento estratégico.

“É preciso colocar recursos no orçamento para a agricultura. Precisamos de programas sérios, técnicos capacitados e políticas públicas voltadas para quem pisa no barro, para quem vive da produção”, destacou.

Ele também citou a necessidade de diversificação de culturas, como o cacau, e mencionou que estados vizinhos possuem estruturas técnicas mais específicas para determinadas cadeias produtivas.

“Precisamos trazer conhecimento técnico, buscar modelos que deram certo em outros estados e adaptar à nossa realidade”, defendeu.


Campo forte, cidade forte

Encerrando a entrevista, Chiquinho resumiu sua visão de desenvolvimento com uma frase que ecoou durante o programa:

“Campo pobre, cidade pobre. Campo rico, cidade rica.”

Para ele, fortalecer o produtor rural significa gerar emprego, renda, movimentar o comércio e impulsionar toda a economia do Estado.

A pré-candidatura ainda está em fase inicial, mas o empresário deixou claro que, se eleito, pretende ser uma voz ativa do agro dentro do parlamento acreano.

“Quero ser um representante autêntico do homem do campo, com responsabilidade ambiental e compromisso com o desenvolvimento do Acre.”

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