Ministro do TCU alerta para risco de colapso nas contas públicas e na Previdência Social

Brasília — Um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) manifestou forte preocupação com a situação fiscal do Brasil e afirmou que o país caminha rapidamente para um colapso financeiro, impulsionado principalmente pelo desequilíbrio nas contas da Previdência Social. Segundo ele, o cenário atual indica que o Brasil está “praticamente indo à falência”, diante do alto comprometimento da arrecadação com despesas previdenciárias.

De acordo com o ministro, cerca de 56% de tudo o que o país arrecada é destinado exclusivamente ao pagamento de benefícios da Previdência Social. Esse nível de comprometimento, afirmou, reduz drasticamente a capacidade do Estado de investir em áreas estratégicas e manter o equilíbrio fiscal no médio e longo prazo.

O alerta reforça declarações feitas anteriormente pelo presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo Filho, que, em fevereiro, já havia chamado atenção para o risco de colapso do sistema previdenciário brasileiro. Na ocasião, o presidente do TCU destacou que o crescimento das despesas obrigatórias, aliado à redução da base de contribuintes, cria um cenário insustentável.

O ministro relembrou ainda sua atuação como relator do processo que investigou as chamadas pedaladas fiscais, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, recursos de fundos da Previdência teriam sido utilizados para financiar programas sociais, como o Bolsa Família. Embora tenha ressaltado que não é contrário ao programa, fez críticas à forma de financiamento adotada à época.

“Eu não sou contra o Bolsa Família. Sou a favor de ensinar a pescar. Você pode dar um auxílio, pode ajudar com dinheiro, mas não pode retirar recursos dos fundos da Previdência”, afirmou. Para o ministro, esse tipo de prática contribuiu para o agravamento da situação atual do sistema previdenciário.

Outro ponto destacado foi a mudança no perfil do mercado de trabalho. Segundo ele, o país enfrenta hoje uma redução no número de pessoas economicamente ativas contribuindo para o sistema, ao mesmo tempo em que cresce o número de beneficiários de auxílios e programas sociais. “Não tem mais gente trabalhando suficiente. Está acontecendo que muitas pessoas recebem algum tipo de auxílio e você não encontra trabalhadores”, disse.

O ministro também criticou o que chamou de cultura de dependência do Estado. Para ele, a ausência de políticas eficazes de qualificação e inserção no mercado formal estimula a busca por trabalhos informais ou temporários, em detrimento do emprego com carteira assinada. “As pessoas querem bico, porque recebem dinheiro de um lado e de outro. Ninguém quer mais emprego formal”, afirmou.

Na avaliação do Tribunal de Contas da União, sem reformas estruturais e mudanças no modelo de financiamento da Previdência e das políticas sociais, o país pode enfrentar um colapso fiscal com impactos diretos sobre serviços públicos, investimentos e a estabilidade econômica.

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