Município do Acre vive clima de apreensão após divulgação de vídeos sobre suposto acampamento com centenas de famílias. Produtores rurais e lideranças comunitárias do município demonstram crescente preocupação com a possibilidade de um conflito agrário na região, após a circulação, nas redes sociais, de vídeos e fotografias divulgados pelo ex-vereador Roussildo, nos quais ele afirma existir um acampamento em sua propriedade reunindo cerca de 250 famílias, com previsão de chegada de outras 500 interessadas em adquirir terras na região.
Segundo relatos de produtores locais, a situação gerou apreensão principalmente porque, até o momento, não existe qualquer projeto oficial de desapropriação de terras por parte do Incra ou de outro órgão federal que contemple a criação de assentamentos no município.
Nos vídeos divulgados, o ex-vereador afirma ainda que as famílias estariam sendo orientadas e capacitadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Essa informação aumentou o temor entre os moradores da zona rural, que associam historicamente as ações do movimento a ocupações de propriedades em diversas regiões do país.
“Quem vive aqui sabe que não existem latifúndios. As terras da nossa região foram adquiridas com muito suor, com sacrifício. São pequenas e médias propriedades de famílias que dependem diretamente da terra para sobreviver”, afirmou um produtor rural durante reunião comunitária.
Histórico nacional acende alerta
A preocupação dos produtores se intensifica diante de notícias veiculadas recentemente pela mídia nacional, que relataram invasões de propriedades produtivas em estados como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, incluindo áreas com lavouras consolidadas, como pomares de laranja.
“Não se trata de boato ou pânico. O que estamos fazendo é um trabalho preventivo. Queremos evitar que nossa região enfrente o mesmo tipo de conflito que já ocorreu em outras partes do Brasil”, destacaram lideranças locais.
De acordo com informações divulgadas nacionalmente, o MST teria atualmente mais de 230 mil famílias cadastradas para programas de assentamento, além de novas inscrições em andamento. Também circulam informações sobre mobilizações recentes na Bahia, com possível participação de autoridades federais, em defesa de um amplo programa de reforma agrária.
Mobilização institucional e pedido de prevenção
Diante desse cenário, produtores rurais e representantes da sociedade civil decidiram se organizar e buscar apoio institucional. Uma reunião foi convocada na Câmara Municipal, com autorização do presidente da Casa, vereador Marquinhos, onde serão formadas comissões para encaminhar documentos a autoridades estaduais e federais.
Deputados estaduais, federais e senadores foram convidados a participar do debate, presencialmente ou por videoconferência, demonstrando apoio à iniciativa de prevenção de conflitos.
“O que nós queremos é paz. Ninguém quer confronto, ninguém quer guerra. Queremos continuar trabalhando, produzindo e vivendo com tranquilidade”, ressaltou um dos organizadores do movimento.
Falta de informações oficiais preocupa
Outro ponto levantado é a ausência de esclarecimentos por parte de representantes ligados ao movimento citado nos vídeos. Tentativas de diálogo teriam sido feitas, sem sucesso, segundo os produtores.
Além disso, a possibilidade de compra de terras pelo governo federal para assentamentos levanta dúvidas entre os moradores. “Com a crise econômica que o país enfrenta, com falta de recursos em diversas áreas, como o governo conseguiria comprar terras e garantir o pagamento aos proprietários?”, questionam.
Objetivo é evitar o caos social
As lideranças reforçam que o movimento não tem caráter político-partidário, nem visa estimular confrontos. O foco, segundo eles, é evitar instabilidade social, prejuízos econômicos e insegurança jurídica no município.
“A população ficou abalada com os vídeos. Isso mexe com o emocional das pessoas. Nosso objetivo é exatamente o contrário: evitar o caos, evitar o conflito e garantir que qualquer solução passe pelo diálogo, pela legalidade e pela presença do Estado”, concluem.
Enquanto aguardam posicionamentos oficiais dos órgãos competentes, produtores e moradores seguem mobilizados, defendendo a prevenção como o melhor caminho para garantir a paz e o desenvolvimento da região.
