Em um território marcado por grandes distâncias, rios extensos e comunidades de difícil acesso, o Acre tem se destacado nacionalmente pela eficiência e humanidade no atendimento aeromédico. A atuação integrada do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tornou-se referência ao garantir rapidez, segurança e, sobretudo, a preservação de vidas. Somente no ano passado, 62 pessoas foram resgatadas e transportadas com sucesso por meio das operações aeromédicas no estado.
A parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) demonstra que a união entre saúde e segurança pública gera resultados concretos. Helicópteros e aviões chegam onde ambulâncias não conseguem: aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e municípios isolados, levando atendimento especializado a quem mais precisa, no momento mais decisivo.
Para o comandante do Ciopaer, coronel Sergio Albuquerque, cada missão reforça o compromisso com a vida. “Nosso objetivo é garantir que cada minuto conte. Em muitos resgates, o tempo é o fator determinante entre a vida e a morte. O trabalho aeromédico salva vidas e representa o que há de mais essencial no serviço público”, destacou.
A história dessa excelência também é construída por profissionais que vivenciam, na prática, a emoção de salvar vidas. A enfermeira emergencista Solange Almeida, com mais de 20 anos de atuação no Samu, participou do primeiro resgate aeromédico do Acre, em 2009. Ela relembra com emoção o início dessa trajetória. “Durante um treinamento, fomos acionados para um atendimento real, em um grave acidente na estrada de Manoel Urbano. Ali percebemos o quanto essa parceria seria transformadora”, contou.
Segundo Solange, a satisfação profissional é imensa. “Saber que conseguimos chegar a lugares onde o socorro terrestre não alcança é gratificante. Cada vida salva renova nossa fé, nossa gratidão a Deus e o reconhecimento ao governo por garantir estrutura e condições para esse trabalho”, afirmou.
Para manter o alto padrão de qualidade, o Ciopaer e o Samu realizam simulações periódicas de resgate aeromédico. Os treinamentos aprimoram protocolos, fortalecem a integração das equipes e preparam os profissionais para cenários reais, muitas vezes complexos e desafiadores, comuns na região amazônica.
O coronel do Corpo de Bombeiros, Cleiton Almeida, ressaltou que os investimentos feitos pelo Estado são fundamentais e estratégicos. “Salvar vidas não tem preço. Quando comparamos o custo de uma hora de voo com o de um dia de internação em UTI, fica claro que o investimento em resgate aeromédico é não apenas humano, mas também altamente eficiente”, enfatizou.
Criado oficialmente em 11 de setembro de 2009, o Ciopaer iniciou suas atividades com apenas uma aeronave. Hoje, o Acre conta com uma frota moderna composta por três aviões de asa fixa, três helicópteros e drones de última geração, representando um salto significativo na capacidade operacional do Estado.
Atualmente, 47 profissionais altamente qualificados — entre pilotos, médicos, enfermeiros e mecânicos — atuam nas missões aeromédicas, com bases em Rio Branco, atendendo o Alto e Baixo Acre, e em Cruzeiro do Sul, responsável pelo Vale do Juruá. Planejamento rigoroso, preparo técnico e coragem definem o trabalho dessas equipes que enfrentam diariamente os desafios da Amazônia.
E os avanços continuam. A segurança pública e a saúde do Acre serão ainda mais fortalecidas com a chegada do novo avião do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), o Cessna Grand Caravan EX. A aeronave, equipada com kit aeromédico completo — incluindo incubadora neonatal, ventilador pulmonar, desfibrilador, monitor cardíaco e bomba de infusão — ampliará significativamente a capacidade de resposta do Estado em emergências.
O secretário de Saúde, Pedro Pascoal, destacou a importância desse reforço, previsto para chegar ainda neste mês de fevereiro. “Essa nova aeronave representa um grande avanço para o atendimento emergencial. Ela vai reduzir o tempo de resposta e garantir que o Estado continue salvando vidas, especialmente nas comunidades mais distantes”, afirmou.
Com investimentos contínuos, integração entre instituições e profissionais comprometidos, o Acre demonstra que é possível transformar desafios geográficos em exemplos de eficiência, humanidade e excelência no cuidado com a vida.
Por Andreia Nobre
01 de fevereiro de 2026
