Em entrevista concedida à Rádio Alto Acre no dia de Natal, o secretário-geral do MDB no Acre, Aldemir Lopes, fez uma reflexão profunda sobre política, gestão pública e o futuro do município de Brasileia. Filho da cidade, ex-prefeito e articulador político reconhecido no estado, Aldemir falou com emoção sobre suas origens, criticou decisões administrativas recentes e defendeu planejamento estratégico como base para o desenvolvimento.
Recebido pelo radialista Zezinho Moraes, o dirigente partidário destacou o valor da amizade, da memória e do compromisso com a cidade onde nasceu, na conhecida Rua da Encrenca, e para a qual pretende retornar definitivamente a partir de 2026, conciliando a vida familiar com a função partidária exercida em Rio Branco.
Política de bastidores e fortalecimento do MDB
Atualmente secretário-geral do MDB estadual, Aldemir explicou que sua atuação política se dá majoritariamente nos bastidores, organizando o partido, fortalecendo candidaturas e estruturando o MDB para as eleições proporcionais em todos os municípios acreanos.
Segundo ele, mesmo fora do poder executivo há mais de duas décadas, o MDB mantém força eleitoral e identidade histórica. “O MDB sobreviveu a todos os intempéries da política. É um partido que tem história, tradição e militância fiel”, afirmou, lembrando que, mesmo sem grandes prefeituras, o partido obteve mais de 111 mil votos nas últimas eleições municipais.
Críticas à falta de planejamento e visão administrativa
Durante a entrevista, Aldemir foi enfático ao criticar a falta de visão estratégica de gestões recentes, sobretudo diante da atual abundância de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.
“Hoje tem dinheiro, tem máquinas, tem emendas. O que falta é capacidade, competência e visão política para transformar isso em obras estruturantes que façam a cidade avançar”, disse.
O ex-prefeito citou como exemplo positivo de sua gestão a implantação do sistema de captação, tratamento e distribuição de água em Brasileia, uma obra planejada para o futuro e que, segundo ele, continua servindo à população décadas depois.
Ponte de Brasileia: prioridade negligenciada
Outro ponto central da entrevista foi a necessidade urgente da construção de uma nova ponte em Brasileia, diante do crescimento do tráfego pesado e dos constantes congestionamentos no centro da cidade.
Aldemir relatou que recursos anteriores foram insuficientes para a obra, o que acabou inviabilizando sua execução, mas destacou que agora existe uma emenda de bancada, articulada pelos parlamentares acreanos, que pode viabilizar o projeto completo. “A ponte não é luxo, é prioridade. Não dá para uma cidade de fronteira depender de uma estrutura antiga, de mão única, por onde passa todo o tráfego pesado”, alertou.
Demissões em massa no Natal: “faltou humanidade”
Em tom crítico e solidário, Aldemir comentou a recente demissão de cerca de 200 servidores terceirizados da prefeitura de Brasileia, ocorrida em pleno período natalino. Para ele, embora o problema seja estrutural e herdado de práticas políticas antigas, faltou sensibilidade humana na decisão.
“São 200 famílias. Pessoas com compromissos, contas, filhos. Poderia ter havido mais diálogo, mais planejamento, outra solução”, afirmou. Ele também criticou o uso excessivo de contratos terceirizados em períodos eleitorais, classificando a prática como parte de um sistema político que ilude trabalhadores.
Experiência e compromisso com o futuro
Ao longo da conversa, Aldemir Lopes destacou que governar exige coragem, planejamento e responsabilidade com as próximas gerações. Comparando o passado com o presente, ele lembrou que, em sua época como gestor, faltavam recursos básicos, enquanto hoje há abundância financeira, mas escassez de projetos estruturantes.
“Administrar é pensar no futuro. Não é só resolver o agora, é preparar a cidade para daqui a 20, 30 anos”, concluiu.
A entrevista reforça o papel de Aldemir Lopes como uma das vozes mais experientes da política acreana, trazendo à tona debates fundamentais sobre gestão pública, prioridades urbanas e responsabilidade social, especialmente em um município estratégico como Brasileia.