Aconteceu na última quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, no Centro Cultural Sebastião Dantas, em Brasileia, uma audiência pública promovida pela Câmara Municipal para tratar de problemas relacionados ao Hospital Regional do Alto Acre. O evento, iniciado às 9 horas, reuniu vereadores de Brasileia e Epitaciolândia, lideranças políticas e comunitárias, além de um grande número de pacientes que relataram dificuldades no atendimento prestado pela unidade.
Considerado o terceiro maior hospital do Acre e dotado de estrutura moderna e equipamentos de alto padrão, o Hospital Regional do Alto Acre deveria ser referência no atendimento em saúde. Apesar dos investimentos feitos pelo governo estadual, a população tem enfrentado uma realidade marcada por falhas operacionais e insuficiência de profissionais médicos.
Reclamações generalizadas
Durante a audiência, as queixas foram inúmeras e contundentes. Entre os principais problemas apontados estão:
Falta de médicos especialistas, como ortopedistas, pediatras e cirurgiões, o que obriga o encaminhamento constante de pacientes para Rio Branco, aumentando custos, riscos e o sofrimento das famílias;
Déficit de médicos plantonistas, com apenas dois clínicos atendendo uma demanda que abrange Brasileia, Epitaciolândia, Assis Brasil e Xapuri;
Ausência de internet no hospital, algo considerado inaceitável em pleno século XXI, afetando desde o registro de prontuários até a comunicação interna;
Ambulâncias frequentemente indisponíveis, por estarem em trânsito transportando pacientes para a capital;
Exames terceirizados para clínicas particulares, gerando atrasos significativos na entrega de resultados, mesmo o hospital possuindo equipamentos modernos capazes de realizar tais exames com agilidade.
Segundo relatos apresentados na audiência, a terceirização de exames teria aumentado o tempo de espera e gerado mais custos para famílias que já enfrentam longas viagens em busca de atendimento.
Críticas severas ao funcionamento da unidade
O vereador Zemar foi um dos que fez críticas mais duras, destacando que a estrutura física do hospital, embora moderna, não tem sido suficiente para compensar a falta de condições básicas de funcionamento. Os presentes também reclamaram da ausência de fiscalização do Estado e da falta de medidas efetivas para resolver problemas antigos, que remontam a gestões anteriores.
A secretária de Saúde procurou justificar a atual situação, mas suas explicações foram recebidas com desconfiança pelo público, que cobrou respostas mais concretas e ações imediatas.
População cobra providências urgentes
Apesar dos esforços do governador Gladson Cameli para modernizar o hospital e garantir um atendimento digno, a população do Alto Acre demonstra crescente insatisfação. Para os moradores da região, a falta de especialistas, a precariedade nos plantões, as dificuldades para a realização de exames e a insuficiência da estrutura operacional tornam o Hospital Regional incapaz de atender às necessidades básicas da população.
O sentimento predominante na audiência pública foi de frustração e cobrança. A comunidade espera que o Governo do Estado volte os olhos para a realidade do Alto Acre com mais sensibilidade, priorizando a contratação de profissionais, a melhoria da infraestrutura e a fiscalização efetiva dos serviços prestados.
Enquanto isso não acontece, a população continua a enfrentar longas viagens, altos custos e o sofrimento causado pela falta de atendimento adequado — problemas que, segundo moradores, “já deveriam ter sido resolvidos há muito tempo”.









