O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a defender a produção rural como caminho para geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico no Acre. Em entrevista à Rádio Alto Acre, durante conversa com o comunicador Zezinho Moraes, Bocalom falou sobre o primeiro dia de campo realizado em sua propriedade, onde apresentou resultados de produtividade no cultivo de café, e afirmou que o estado tem potencial para ampliar a atividade agrícola, especialmente entre pequenos produtores.
Bocalom, que foi filiado ao PSDB em março de 2026 como pré-candidato ao governo do Acre, deixou a Prefeitura de Rio Branco em abril, quando o cargo passou a ser ocupado por Alysson Bestene, conforme informações públicas do partido e da própria Prefeitura.
Durante a entrevista, Bocalom afirmou que o evento realizado em sua colônia teve caráter técnico e não partidário. Segundo ele, o objetivo foi mostrar a produtores e interessados na cafeicultura que o café pode alcançar alta rentabilidade quando há manejo adequado, assistência técnica, adubação, irrigação e controle de pragas e doenças.
“Foi o primeiro dia de campo que eu fiz no meu café. Fiz questão de mostrar para quem mexe com café, ou quem quer mexer com café, que o café tem uma rentabilidade muito grande”, declarou.
De acordo com Bocalom, uma das áreas visitadas pelos participantes está na terceira colheita e deve alcançar cerca de 180 sacas por hectare, depois de ter produzido aproximadamente 140 sacas na safra anterior. Ele também relatou que, na primeira colheita, antes da instalação de irrigação, a produção havia sido de cerca de 50 sacas por hectare.
O ex-prefeito atribuiu o crescimento da produtividade ao cuidado permanente com a lavoura. Para ele, o produtor precisa acompanhar de perto o desenvolvimento das plantas, observar sinais de doenças, combater pragas, corrigir deficiências nutricionais e evitar que plantas invasoras disputem nutrientes com o café.
“Não adianta plantar alguma coisa e achar que Deus vai ficar cuidando. Deus dá força, inteligência e o ar. Agora, a gente precisa cuidar. Quando você cuida bem da sua roça, você tem resultado”, afirmou.
O encontro contou, segundo Bocalom, com a presença de produtores de várias regiões do Acre, além de participantes de Rondônia, Amazonas e Bolívia. Ele citou a presença de pessoas de Epitaciolândia, Assis Brasil, Boca do Acre, Cruzeiro do Sul e Guajará-Mirim, além de técnicos e representantes ligados ao setor produtivo.
Entre os palestrantes mencionados por Bocalom estavam um técnico de Rondônia, que abordou nutrição, mercado, pragas e doenças; o técnico Radamés, de Acrelândia, que atua em lavouras de várias regiões; e o professor Leonardo, da Universidade Federal do Acre, em Cruzeiro do Sul, que apresentou experiências de pesquisa com café no Vale do Juruá.
O tema acompanha um movimento de fortalecimento da cafeicultura no Acre. A Embrapa informou, em 2025, que tecnologias e estudos com cafés robustas amazônicos vêm contribuindo para elevar produtividade e qualidade dos grãos, com impacto também em produtores familiares da região Norte. Em outro levantamento, a instituição registrou que a produção de café no Acre, na safra de julho de 2024, chegou a 2.894 toneladas, em área aproximada de 1.091 hectares.
Bocalom também apresentou aos visitantes uma experiência de plantio com plástico, técnica que, segundo ele, ajuda a impedir o crescimento de plantas invasoras ao redor das mudas e reduz a concorrência por nutrientes. Ele disse que essa seria a primeira experiência do tipo em lavoura de café no Acre.
“O plástico tem a vantagem de não deixar as invasoras nascerem do lado. Se você colocou adubo e tem mato em volta, o mato vai comer junto com o seu café. Isso precisa ser levado em consideração”, explicou.
Na avaliação de Bocalom, o café é hoje uma das principais alternativas econômicas para a agricultura familiar no Acre. Ele afirmou que um hectare bem cuidado pode gerar renda superior à de áreas muito maiores destinadas à pecuária extensiva.
“A maior alternativa para a agricultura familiar é o café. A pessoa planta um hectare, cuida direitinho, não deixa praga tomar conta, aduba corretamente, e pode ganhar muito mais do que com 50 hectares de boi”, declarou.
Além da cafeicultura, Bocalom defendeu uma política de desenvolvimento baseada no incentivo à produção, ao empreendedorismo rural e à geração de renda. Ele citou experiências em Acrelândia, município que administrou por três mandatos, e afirmou que sua trajetória política sempre esteve ligada ao campo.
Segundo ele, Acrelândia se consolidou como referência na produção de café, banana e leite. Bocalom também afirmou que, se eleito governador, pretende priorizar assistência técnica, recuperação de ramais, apoio aos prefeitos, distribuição de insumos e ações voltadas à saúde e segurança pública.
“Eu quero ser governador do Acre porque quero cuidar da saúde, da segurança pública, mas quero também criar oportunidade para o povo ganhar dinheiro. E só tem um jeito de ganhar dinheiro nesse Acre: usando a nossa terra”, disse.
Durante a entrevista, Bocalom também comentou visitas a lideranças políticas, empresários e produtores rurais. Ele citou conversas com empreendedores do Alto Acre e destacou investimentos em produção de aves, suínos e pescado como exemplos de atividades capazes de movimentar a economia regional.
Para o ex-prefeito, o Acre precisa criar um ambiente favorável para que produtores e empresas ampliem investimentos, gerem empregos e fortaleçam a circulação de renda dentro dos municípios.
“Só melhora a vida das pessoas quando se bota dinheiro no bolso. Não adianta. A gente tem que criar um ambiente para as pessoas poderem ganhar dinheiro”, afirmou.
Bocalom também tratou da organização de sua pré-campanha ao governo estadual. Ele disse que tem feito viagens para conversar com prefeitos, vereadores, empresários, produtores e lideranças regionais, antes de iniciar encontros maiores com a população.
No campo político, citou a esposa, Kelly, como pré-candidata a deputada federal, e mencionou nomes do Alto Acre como Emerson Leão e Amaral do Gelo, apresentados por ele como pré-candidatos a deputado estadual.
Ao final da entrevista, Bocalom agradeceu o espaço na Rádio Alto Acre e voltou a defender que o estado pode alcançar um novo ciclo de desenvolvimento com base na produção, no trabalho e no fortalecimento da economia rural.
“O nosso Acre tem jeito. Nós vamos mudar muito a cara do nosso estado. O Acre vai gerar renda, gerar emprego e melhorar a vida das pessoas”, concluiu.
