Raimunda Queiroz afirma que ato cobra justiça, dignidade, liberdade e regularização fundiária para moradores da unidade de conservação no Acre
A advogada acreana Raimunda Queiroz iniciou uma caminhada de aproximadamente 70 quilômetros entre Epitaciolândia e Xapuri, no Alto Acre, em defesa das famílias que vivem na Reserva Extrativista Chico Mendes. Segundo ela, o ato é uma manifestação pública por justiça, liberdade, dignidade e regularização fundiária para moradores que enfrentam insegurança jurídica dentro da unidade de conservação.
Em relato divulgado durante o percurso, Raimunda informou que já havia caminhado cerca de 30 quilômetros no primeiro dia e que seguiria para o segundo dia de mobilização. A advogada afirmou que a caminhada representa uma luta pela permanência das famílias na reserva e contra possíveis medidas de expulsão de moradores e agricultores tradicionais.
“Essa é uma caminhada por justiça, por liberdade, por dignidade e pela regularização fundiária do povo da Reserva Chico Mendes”, declarou Raimunda Queiroz.
A Reserva Extrativista Chico Mendes é uma unidade de conservação federal de uso sustentável localizada no Acre. Conforme informações oficiais sobre as Reservas Extrativistas, essa categoria busca proteger os meios de vida e a cultura das populações locais, garantindo o uso sustentável dos recursos naturais. A posse da área é pública, com concessão de uso às populações extrativistas tradicionais, conforme regulamentação específica.
A Resex Chico Mendes foi criada em 1990 e está entre os símbolos da luta socioambiental na Amazônia. Dados de referência sobre a unidade apontam área aproximada de 970 mil hectares, abrangendo municípios acreanos e abrigando populações tradicionais ligadas ao extrativismo, à agricultura familiar e ao manejo sustentável da floresta.
Durante a caminhada, Raimunda afirmou que muitas famílias vivem em situação de irregularidade e cobrou providências dos governos estadual e federal. Segundo ela, uma portaria vigente estaria sendo usada pelo órgão gestor para pressionar moradores e abrir caminho para retiradas de famílias do território. A advogada também criticou o que chamou de embargos em massa no Acre.
De acordo com os números citados por Raimunda, somente na Reserva Chico Mendes haveria 846 autos de infração, com mais de R$ 120 milhões em multas aplicadas. Ela também afirmou que o Acre teria mais de 5 mil áreas embargadas, situação que, na avaliação dela, estaria empurrando famílias rurais para a pobreza e dificultando a permanência no campo.
A advogada também questionou a falta de alternativas econômicas para quem vive na reserva. Segundo Raimunda, muitas famílias já não conseguem sobreviver apenas do extrativismo, principalmente por causa dos baixos preços pagos por produtos tradicionais da floresta.
“Na reserva, não tem como as famílias viverem só do extrativismo. Não tem mais, porque os preços são baixos”, afirmou.
Raimunda Queiroz disse ainda que recursos destinados à Amazônia não estariam chegando de forma efetiva às comunidades que mais precisam. Para ela, a população tradicional deve ser ouvida e incluída nas políticas públicas de regularização, produção e permanência no território.
A caminhada até Xapuri, município historicamente ligado à memória de Chico Mendes, foi apresentada pela advogada como um gesto de resistência e esperança. Raimunda afirmou acreditar que a mobilização poderá chamar a atenção das autoridades e fortalecer a luta das famílias da reserva.
“Essa caminhada não vai ser em vão. Nós vamos vencer”, declarou.
O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos públicos citados e demais instituições envolvidas no tema.
